sexta-feira ,22 junho 2018
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Violência obstétrica é tema de sessão especial

Foto: Sara Portal

A sessão especial iniciou com uma homenagem às mulheres ao som de “Maria, Maria”, de Elis Regina. A bailarina Bárbara Dias, do Movimento Esquerda Socialista do PSOL fez uma apresentação artística valorizando a beleza, a liberdade e o poder feminino.  O debate proposto pelo vereador Fernando Carneiro (PSOL) reuniu pessoas ligadas ao movimento feminista, representantes de entidades de combate a violência contra a mulher e o público em geral. “Vivemos num país, em uma cidade violenta. Só nesses primeiros dois meses, 750 pessoas morreram por várias causas, entre elas a violência contra a mulher. Precisamos combater isso”, afirmou o vereador.

Como defensor das causas feministas, Carneiro ressaltou que o debate tem um tema muito importante para a sociedade, considerando os índices de violência contra as mulheres. O vereador ressaltou que ao mesmo tempo em que movimento feminista avança, o machismo e o preconceito também crescem. Em especial, Fernando destacou a violência obstétrica e falou que apresentou um projeto no ano passado que trata sobre esse assunto. “A ideia é criar uma campanha de informação com a confecção de uma cartilha por parte do poder público para ajudar a sociedade a identificar esse problema. Infelizmente recebi o parecer contrário da comissão de justiça, mas já fiz alguns ajustes no PL para que ele possa entrar em votação. Vou levar tudo o que debatemos aqui ao conhecimento dos vereadores dessa casa para que eles possam se sensibilizar”, disse Fernando.

Professora Edna Barreto (UFPA) / Foto: Sara Portal

Representando a Universidade Federal do Pará, Edna Barreto falou sobre o projeto de extensão criado em 2016. O “TransformaDOR – Parir com amor, sem violência” surgiu quando o Ministério da saúde reconheceu a violência obstétrica. A professora citou algumas situações que violam o direito das mulheres grávidas como não ter direito a acompanhante durante o parto, má conduta médica e induzir a paciente a fazer cesárea. A cirurgia é uma das principais causadoras de morte durante o parto. “Uma a cada 4 mulheres já sofreu violência obstétrica. Os casos não têm testemunhas, nem registro, não é percebida pela sociedade, pode causar sequelas físicas e psicológicas e quase 100% dos  casos não tem punição. As mulheres e famílias precisam denunciar ao Ministério Público Federal, Defensoria Pública, Ouvidoria do Sus. Não podemos nos calar”, ressaltou a professora da UFPA.

Para Antônia Salgado, da Frente Feminista e representante do Conselho Nacional dos Diretos da Mulher, o dia 8 de março vem para que as mulheres possam colocar em pauta todas as questões que dizem respeito a classe, combater o preconceito e qualquer tipo de violência. Antônia afirmou que falta informação e o empoderamento da mulher com relação aos seus direitos e citou o conhecimento sobre violência obstétrica como uma meta para o poder público. “Precisamos cobrar dos governantes qualidade no atendimento, acolhimento adequado, conduta médica correta e lembrar a esses profissionais que eles estão lidando com seres humanos. Só assim evitaremos as mortes durante o parto”.

A fisioterapeuta, representante do movimento “Mulheres do Psol”, Viviane Reis, destacou que a a problemática que envolve qualquer tipo de violência contra a mulher é de responsabilidade da própria sociedade e inclui a luta de classes, já que as mulheres negras e da periferia são os maiores alvos. “A violência moral, psicológica, física vêm de pessoas que estão ao nosso redor. São parceiros, companheiros de trabalho e até um familiar. Só nós podemos mudar essa realidade”, concluiu

Em um depoimento emocionado, dona Lena Santiago contou que já são 5 anos lutando por justiça. A sobrinha Ana Carolina Carvalho Santiago, 18 anos, e o bebê que ela esperava morreram durante o parto. Segundo a tia, Ana teve a barriga empurrada pela médica, na tentativa de forçar o nascimento do bebê .”Foi um sofrimento psicológico. A médica chamava a minha sobrinha de frouxa, que ela estava fazendo manha e não queria fazer força para ter o bebê. A nossa família se destruiu e eu quero que a responsável por isso seja punida e que as pessoas reconheçam esse problema e não deixem isso acontecer”encerrou Lena.

 

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