terça-feira ,17 setembro 2019
Home / Notícias / Vereador cobra mais investimentos do poder público no esporte amador de Belém

Vereador cobra mais investimentos do poder público no esporte amador de Belém

Vereador Toré Lima reuniu órgãos públicos, entidades e atletas para discutir o cenário atual do esporte amador.

 

O reconhecimento e a valorização do esporte amador estiveram no centro dos debates da sessão especial que abriu a semana legislativa na Câmara Municipal de Belém nesta segunda-feira,20. A falta de apoio e de investimentos do poder público nas modalidades esportivas do segmento foi o que motivou a realização da sessão pelo vereador Toré Lima (PRB).

Segundo o vereador há uma distância muito grande entre o tratamento dado a modalidades esportivas profissionais e às amadoras. E foi o grande número de militantes do esporte amador insatisfeitos com esse tratamento que motivou a iniciativa de trazer a discussão para a CMB. ” Hoje reunimos aqui todos esses atores para que a gente possa contribuir da melhor forma possível para mudar esse cenário e para que o esporte amador, com os investimentos que precisa e merece, tenha resultados ainda mais eficazes do que já tem. Queremos envolver essas entidades na gestão do município e do estado, o que hoje não acontece”, disse.

Entre os problemas que a falta de um maior compromisso do poder público traz para o esporte amador, Toré Lima citou o não cumprimento da lei sobre a venda de bebidas alcoólicas nos estádios que destina 5% da arrecadação dos jogos de futebol para a categoria. ” O projeto de lei do vereador Mauro Freitas, foi amplamente discutido e recebeu emenda prevendo esse repasse. Ocorre que desde que foi sancionada e entrou em vigor, esses recursos somaram até agora pouco mais de R$ 23 mil e recebemos a informação que o Paysandu não repassou nenhum centavo ao esporte amador como determina a lei”, denuncia o vereador.

O titular da Sejel, Wilson Neto, apresentou os projetos esportivos que são desenvolvidos pela Prefeitura de Belém.

O abandono do ginásio municipal Altino Pimenta e a dificuldade de acesso ao ginásio Guilherme Paraense, o Mangueirinho, são outros fatores que demonstram o descaso do poder público com o esporte amador em Belém na opinião do vereador Emerson Sampaio (PP). Ele é praticante e incentivador do boxe e diz ter conhecimento de causa sobre as dificuldades que um atleta amador enfrenta, mesmo representando o estado. ” É inadmissível que um ginásio antes visto como espaço aberto para o esporte amador, hoje esteja completamente abandonado sem nenhuma perspectiva de ser reativado. Além disso temos agora um ginásio milionário que só é acessível a quem pode pagar as altas taxas cobradas para sua utilização”, desabafa.

Toré Lima quer mais incentivo aos jovens atletas que representam o Pará em competições por todo o país.

 

Apoio e resultados

Quem se dedica ao esporte e depende dos próprios esforços para seguir competindo sabe bem o que significa não ter apoio financeiro. O judoca Nalbert Pantoja,15, é exemplo disso. Morador do bairro do Jurunas, ele vem conquistando destaque em nível nacional e mesmo assim tem dificuldade em participar das competições fora de Belém. “Já deixei de participar de várias competições, por falta de patrocínio. A gente se esforça, minha mãe faz rifas, os amigos ajudam, mas é muito difícil” diz o judoca que se prepara para o campeonato brasileiro de judô, que será realizado em agosto, no Rio de Janeiro. “O campeonato brasileiro reúne os melhores de cada estado. Ano passado me classifiquei, mas por falta de dinheiro não pude ir. Este ano, se tudo der certo, estarei lá”.

O titular da Sejel, Wilson Neto, apresentou os projetos esportivos desenvolvidos pela Prefeitura de Belém.

Para o secretário municipal de Esporte e Lazer, Wilson Neto, em que pesem as reclamações, o município está fazendo a sua parte. ” O esporte amador tem uma pujança muito forte no nosso município, somos um grande celeiro de atletas, de geração de novos atletas e a cada dia nós estamos trabalhando para melhorar esse atendimento e principalmente aumentar a inclusão social através do esporte como já fazemos com os projetos Escola do Esporte, Escola Municipal de Dança e com o apoio na organização e realização de campeonatos amadores de bairro em que a Prefeitura está sempre presente, entre muitas outras ações”.

O diretor de projetos especiais da Sejel, Waldir Moura, endossa as declarações do titular da pasta. “Eu falo pelas pessoas com deficiência, Há muitos anos não havia nenhum trabalho voltado para esse segmento. A partir de 2013 implantamos o projeto Esporte sem Barreiras, que é um projeto que atende pessoas com deficiência física, auditiva e visual. Consideramos a categoria contemplada sim, porque antes só existiam serviços pontuais e hoje temos um projeto que atende o segmento e vai ficar como um legado. Em relação ao estado, o maior avanço em esportes para a pessoa com deficiência é o programa Bolsa Atleta, mas avaliamos que ainda é preciso uma coordenadoria mais atuante, que possa dar protagonismo à categoria. Entendemos que o grande número de entidades pedindo ajuda para suas atividades é muito grande e os recursos são poucos, mas é preciso uma visão mais humana que possa gerenciar os investimentos de forma a atender a todos que precisam”, declarou Moura.

Em relação ao empenho para o desenvolvimento do esporte amador, o representante da Federação Paraense de Futebol, Maurício Bororó, explicou que a entidade tem obrigação apenas com o esporte profissional, mas que mesmo assim está dando total apoio ao futebol pelada. Ele informou que o programa será levado aos bairros da cidade e a pessoas carentes e que as partidas serão transmitidas pela Funtelpa como forma de incentivo à modalidade esportiva.

Sidomar Junior, da Federação de Futebol Americano, defende mais apoio para novas modalidades esportivas.

A Federação Paraense de Futebol Americano esteve presente com diretores e atletas. O presidente, Sidomar Junior, destacou que o esporte começou a ser praticado há 10 anos na capital e há quatro anos surgiu a federação que é formada por representantes de seis times. Ele ressaltou que as modalidades novas precisam de mais atenção e que se sente honrado de, pela primeira vez, ter sido contemplado com o edital da Prefeitura que destina recursos para as federações de esporte do estado. “Temos milhares de atletas e pessoas interessadas em praticar o esporte e muitas vezes esbarramos em problemas simples, como o campo para a partida e estrutura básica. A Associação Paraense de Boxe também foi selecionada no edital da Prefeitura e o presidente da entidade, Luciano Nogueira, parabenizou a Sejel por fiscalizar a aplicação de recursos. Ele não deixou de citar as dificuldades enfrentadas pelos adeptos da modalidade. “Às vezes precisamos de 3 mil reais pra fazer um campeonato e não conseguimos”, disse.

O presidente da Câmara Municipal de Belém, Mauro Freitas, se disse orgulhoso em poder contribuir com o esporte amador. Ele falou ainda sobre a aplicação dos recursos oriundos dos 5% da arrecadação da venda de bebida alcoólica nos estádios, projeto de autoria dele, que beneficia o esporte amador. “Convocaremos todos os representantes do esporte amador para uma audiência pública. Vocês vão decidir onde e como esses recursos serão aplicados em uma escala de prioridade e benefício da maioria”.

Você pode Gostar de:

Vereadores aprovam projetos do executivo em sessão extraordinária

Os vereadores de Belém aprovaram, em sessão extraordinária, nesta terça-feira, 17, dois projetos do executivo …

Skip to content