A obrigatoriedade de instalação de leitor de impressão digital na entrada das agências bancárias, projeto de lei do ex-vereador Raul Batista (PRB), foi visto como gerador de mais transtornos aos usuários por todos os oradores que se manifestaram sobre essa proposta na sessão desta terça-feira (14) na Câmara Municipal de Belém.  O vereador Fabrício Gama (PMN), vice-líder de governo, ponderou que enquanto o Executivo, através da Secretaria Municipal de Economia (Secon), promove a fiscalização do cumprimento da lei de espera  nos bancos, o Legislativo pode entrar na contramão dos interesses da população se acolher um projeto que vai burocratizar e complicar a vida de todos.

O projeto de Batista determina que o leitor deve ser instalado junto à porta giratória na entrada das agencias, dando um prazo de 180 dias para adequação dos bancos à lei após sua publicação no Diário Oficial do Município. A multa pela desobediência seria de R$ 800 e o valor dobraria em caso de reincidência.

A maioria dos oradores  previu o aumento da ocorrência de assaltos nas filas que se tornarão maiores. Também foi criticada a possibilidade de exposição dos clientes a chuva e sol do lado de fora. Henrique Soares (PDT) e Doutor  Elenilson (PT do B) destacaram as dificuldades de leitura digital para idosos, cujas impressões se desgastam com a idade, e segmentos profissionais que lidam com substancias químicas que tem efeito erosivo sobre a pele.

Clientes de bancos são alvos fáceis de assaltos, segundo Adriano  Coelho  (PDT), relatando já ter vivido essa experiência por duas vezes em agencias bancárias. Na última,  inclusive, seu carro teria sido atingido por tiros dos assaltantes. Concluiu dizendo que por causa disso, não entra mais em bancos, deixando essa tarefa para seus assessores.

"O cidadão que já teve algum problema com a lei, mesmo já tendo pago o que deve à sociedade, pode ser impedido de entrar em bancos por causa dessa medida", lembrou Joaquim Campos  PMDB). Sargento Silvano (PSD ) também apontou o aumento de dificuldades para os usuários se a lei for aprovada. A proposta continua em discussão.