A última conquista portuguesa ao Norte do Brasil colonial ocorreu a 12 de janeiro de 1616, quando a frota comandada por Francisco Caldeira Castelo Branco ancorou na Baía do Paraná-Guaçu, nome que os índios Tupinambás davam à Baía do Guajará.

Preocupado com o avanço de ingleses, holandeses e franceses, Castelo construiu uma praça de guerra que batizou de Forte do Presépio, depois Forte do Castelo. Santa Maria de Belém do Grão-Pará começava a se estabelecer, a ferro e fogo, com guerras, revoltas e revoluções marcadas pela reação ao estrangeiro dominador.

Um marco na história foi a controvertida, polêmica e quase desconhecida Revolta da Cabanagem, cujo estopim foi aceso em 1840, quando a população tentou proclamar a independência da Província do Grão-Pará. Nesse episódio nasceria o jornal "O Paraense", primeiro e principal instrumento da causa cabana, fundado por Felipe Patroni. Em defesa da causa destacaram-se o cônego Batista Campos, Félix Clemente Malcher, Eduardo Angelim e os irmãos Francisco e Antônio Vinagre.

Há uma curiosidade na paisagem desta Belém de tantas histórias: são os furos, os rios, os igarapés e as baías que a cercam e representam dois terço do seu território. Exaltada por suas mangueiras frondosas, Belém é tropical, sem inverno e sem verão. Com um detalhe muito conhecido: chove quase o ano todo, quase todas as tardes. Uma chuva diferente que, às vezes, parece que nem chuva é. É mais uma 'referência", pois que, de tão costumeira, criou um hábito na cidade, que faz ou deixa de fazer as coisas antes ou depois dela, a chuva.

A Câmara de Belém

Não há data precisa do início do funcionamento do Legislativo Municipal, mas existem registros históricos sobre o ato em que a Câmara de Vereadores tomou posse da primeira légua patrimonial da cidade, na área onde hoje é o bairro do Marco: 1628, época do Brasil Colônia, quando o Legislativo denominava-se Senado da Câmara. A denominação Câmara Municipal viria em 1º de outubro de 1828, já na fase do Brasil Império.

Até a Proclamação da República, em 15 de novembro de 1889, a Câmara Municipal funcionou ininterruptamente. Era no Legislativo Municipal que aconteciam os atos e solenidades mais importantes da cidade. Foi perante a Câmara, por exemplo, que a 1ª Junta Provisória de Governo Republicano tomou posse, em 18 de novembro de 1889, em sessão presidida por Antônio Lemos, um dos nomes mais expressivos da administração de Belém até nossos dias.

O Decreto nº 3, de 5 de dezembro de 1889, extinguiu a Câmara, criando em seu lugar o Conselho Municipal, sendo Manuel Barata o seu primeiro presidente. Por ato do governador Justo Chermont, a partir de 12 de fevereiro de 1890 o Legislativo Municipal passou a chamar-se Conselho de Intendência Municipal, e os vereadores, vogais. A Revolução de 1930 fechou todas as casas legislativas brasileiras e, assim, a Câmara Municipal de Belém só voltaria a funcionar em 1936, com a denominação que perdura até hoje.

O Estado Novo, de Getúlio Vargas, fechou novamente os legislativos. A última sessão da Câmara Municipal de Belém aconteceu em 10 de novembro de 1937, presidida pelo vereador Lameira Bittencourt, que atualmente empresta seu nome ao salão plenário da Casa. O Legislativo Municipal renasceu a partir de 31 de dezembro de 1947, através da Lei nº 62, assinada pelo governador Moura Carvalho.