segunda-feira ,24 julho 2017
Home / Notícias / Sessão especial na CMB discute perigos da internet e cyberbullying

Sessão especial na CMB discute perigos da internet e cyberbullying

Não é de hoje que o bullying deixou de ser uma prática exclusiva das salas de aula e pátios das escolas para ganhar ainda mais força e repercussão no ambiente virtual. O mesmo pode se dizer dos crimes de calúnia, difamação e constrangimento que hoje podem fazer vítimas entre pessoas de todas as idades, gêneros, e religiões.

Um debate sobre esse assunto, reuniu na tarde desta terça-feira,28, na Câmara Municipal de Belém, representantes do Ministério Público, Propaz, OAB, Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), Companhia de Informática de Belém (Cinbesa) e Semec e Força Jovem Universal (FJU), que participaram da sessão especial “Ações e mobilizações sobre os perigos da internet e o cyberbullying”, solicitada pela vereadora  Simone Kahwage (PRB) e aprovada por unanimidade pelos parlamentares da Casa. Na ocasião,  vereador Pastor França (PRB) dividiu a presidência da sessão com a autora da proposição.

Para provocar o debate,a vereadora se baseou no impacto que recentemente os casos de suicídios causados pelo jogo Baleia Azul e as fotos abusivas de mulheres expostas na internet, bem como  boatos que acabam vitimando pessoas inocentes. Simone Kahwage usa como exemplo a situação vivida por ela é vários vereadores, que tiveram suas fotos expostas de forma negativa nas redes sociais devido a votação de um projeto que tratava da instalação de ar-condicionado nos ônibus. ” A internet virou uma terra sem lei, para alguns, mas para o Judiciário, para as leis da nossa Constituição, não é bem assim que a banda toca. Você não pode chegar hoje na internet e simplesmente julgar e expor as pessoas”, alerta a parlamentar.

Disposta a conscientizar a sociedade sobre a necessidade de se combater essa prática de forma ampla, Simone Kahwage já apresentou à CMB, projeto de lei que institui a Campanha permanente de conscientização e combate ao Cyberbullying e ao Cyberstalking no município de Belém. O projeto deve entrar na pauta do legislativo já no mês de agosto.

Conduta

A advogada e pós-graduanda em Direito Digital, Amanda Andrade,avalia que a prevenção ao bullying e ao cyberbullying deve começar em casa, sob a responsabilidade dos pais, que com atenção e orientação podem evitar que seus filhos sofram ou pratiquem o bullying. ”  Trata-se de uma conduta e os pais devem mostrar que é errada. Para isso eles devem estar atentos ao comportamento das suas crianças e jovens. Qualquer mudança deve ser questionada, porque as vítimas não costumam falar sobre o que estão sofrendo”, orienta a advogada.

Em sua experiência profissional, Amanda já lidou com  casos de constrangimento devido a divulgação de fotos íntimas no ambiente virtual.  Nessas situações a orientação da advogada é que seja feita a ocorrência em qualquer delegacia, não necessariamente na especializada em crimes virtuais. A partir daí, a polícia poderá solicitas às redes sociais o endereço de IP da máquina que disponibilizou as imagens, o que é o primeiro passo para que crimes dessa natureza não fiquem impunes.

A atuação dos pais na orientação de crianças e jovens quanto ao acesso á internet também foi destacada pela coordenadora do Núcleo Integrado do Propaz na Santa Casa, Naiana Klautau. “Os crimes na internet não se resumem ao jogo da baleia Azul. Os pedófilos,por exemplo, recorrem a perfis falsos para obter informações e atrair as vítimas. Por isso a orientação do Propaz é voltada para os pais, pois são eles que devem estar sempre monitorando as atividades dos filhos na internet, e ficar atento aos sintomas de cyberbullying, que são muito semelhantes aos do abuso sexual”, ressalta naiana.

No plenário, vários jovens atentos ao debate. Entre eles Hirlan Carone, de 20 anos, que reconhece a importância de se alertar as pessoas para os perigos que podem se esconder atrás da internet. ” A juventude hoje em dia está sendo mais afetada , mas não está sendo dada a devida importância pra esse assunto. Por isso essa discussão é muito interessante e deveria ser constante, porque a internet tanto ajuda como pode destruir ou corromper a vida de uma pessoa”, avalia Hirlan.

Aos 22 anos, a estudante de Pedagogia  Brenda Smith também achou oportuna a abordagem do tema pela Câmara Municipal, isso porque ela acredita que os perigos da internet não são expostos, nem discutidos o suficiente para que haja a real dimensão do problema. ” Muito já foi falado sobre isso, mas parece que isso ficou meio esquecido, embora os crimes e agressões virtuais não tenham deixado de existir”, disse a estudante. Ela chama a atenção para o fato de que, para muitos, esse tipo de conduta seja sempre justificado sob a alegação de ser “apenas uma brincadeira”. Segundo Brenda, um argumento vazio. ” Acontece que para o agressor pode ser uma brincadeira, mas não para quem sofre a agressão. È aquela velha história: quem bate esquece, mas quem apanha não esquece jamais”, conclui.

 

Você pode Gostar de:

Estudo de impactos para instalação de ar condicionado nos ônibus é concluído

Na manhã desta terça feira, 20, na presença da Superintende da Semob, Paula Grossinho, o …

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *