sábado ,23 setembro 2017
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Sessão especial na CMB comemora o Dia Municipal do Carimbó

Dançarinos do grupo Trilhas da Amazônia, de Icoaraci, deram o toque festivo à sessão especial pelo Dia Municipal do Carimbó.

Com a execução de músicas tradicionais do ritmo essencialmente paraense a Banda Musical da Guarda Municipal de Belém fez a abertura da sessão especial que comemorou nesta terça-feira,29, na Câmara Municipal, o Dia Municipal do Carimbó, transcorrido no último dia 26. De autoria da vereadora Marinor Brito (PSOL), a sessão comemorativa também homenageou o ícone do carimbó de raiz, Augusto Gomes Rodrigues, o mestre Verequete que, se vivo fosse, estaria completando 101 anos.

O carimbó se tornou Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil em setembro de 2014, por meio de registro aprovado pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, em Brasília. Para a vereadora Marinor Brito, é fundamental que se mantenha a memória de todos os que de uma forma ou de outra contribuíram para esse reconhecimento.  Foi dela a iniciativa de criar o Dia Municipal do Carimbó, no ano de 2004, na gestão do então prefeito Edmilson Rodrigues.

Marinor Brito entregou certificados de reconhecimento a grupos e entidades do segmento cultural de Belém.

” Homenagear o Dia Municipal do Carimbó no dia do aniversário do Mestre Verequete é sempre um motivo de alegria, e de reverenciar esse legado de mestres do carimbó, como Verequete, mestre Lucindo, mestre Cupijó, e tantos grupos culturais, folclóricos e parafolclóricos que vêm fazendo cultura popular especialmente aqui em Belém”, disse a vereadora que lembra com carinho da convivência com Verequete. ” Hoje também é um momento de reviver um pouco dessa história de luta, de resistência e de poesia do mestre Verequete,que tive o privilegio de conhecer pessoalmente e de  homenageá-lo com a produção de um CD com músicas inéditas dele, ajudando a criar projetos que ajudaram na melhoria da sua qualidade de vida, como por exemplo o filme Chama Verequete, do cineasta Luiz Arnaldo Campos que foi premiado na categoria Música, no Festival de Cinema de Gramado”, recorda.

A sessão especial reuniu representantes de entidades e grupos culturais, artesãos e militantes da cultura popular. Também participaram representantes da Universidade do Estado do Pará (Uepa) e OAB seção Pará, que mantêm linhas de ação voltadas para a questão cultural.  ” Todos os que vieram aqui foram chamados para compartilhar um pouco dessa história de luta da nossa cultura, porque é importante que haja integração entre o poder público e as instituições e as entidades privadas, para que juntos a gente não deixe jamais que essa cultura se apague na nossa cidade, da nossa memória”, declarou Marinor Brito.

Militantes da cultura popular agradecem o apoio da vereadora Marinor Brito.

Resistência

Para o regente e coordenador da Orquestra Pau e Cordista de Carimbó, Douglas Dias, a valorização do carimbó ainda precisa ganhar as ruas. Ele elogiou a iniciativa da vereadora em chamar para o debate os segmentos envolvidos com a questão cultural.  ” A gente fica num estado de alegria muito grande porque a orquestra é um projeto que existe há um ano e dois meses e que vem galgando seu espaço, com a sua proposta de relacionar o carimbó com outras linguagens, mas bebendo também nas fontes dos grandes mestres, fazendo a militância maior que é tocar e divulgar essa cultura”, destaca Douglas.

Apesar da visibilidade que o carimbó vem tendo atualmente, Douglas Dias avalia que ainda existe preconceito contra a cultura do tambor. ” É muito legal o carimbó estar aí permeando o mundo global, nos grandes centros, mas não pode ser só isso. A cultura do tambor, não só o carimbó, precisa ser incentivada. Acho que o tambor ainda é um símbolo muito estigmatizado, condenado e proibido. Precisamos ter mais rodas de carimbó, por exemplo. Iniciativas que levem essas manifestações para a rua, como acontece com o samba no Rio de janeiro, com o maracatu em Recife, com o tambor no Maranhão.

Levar a dança e a música do carimbó para locais abertos, acessíveis ao grande público é o sonho que Douglas Dias alimenta. Ele reconhece como muito válidas algumas iniciativas pontuais e privadas que já oferecem rodas de carimbó de raiz em suas programações, mas considera que o carimbó deveria chegar a espaços mais abrangentes. “A gente precisa gostar todo dia do carimbó, nem só em junho ou só no dia 26 de agosto, a gente precisa viver e respirar o carimbó e fazer ele dialogar com as outras linguagens culturais contemporâneas. Belém precisa ter equipamentos de lazer nesse sentido, por exemplo um espaço de carimbó todas as sextas-feiras ali no centro histórico”, sugere.

Longe de considerar que haja “modismo” em torno do carimbó hoje, Cláudio Albuquerque, o Cláudio do Banjo, acredita que ideias como a de Douglas Dias á frente da Orquestra Pau e Cordista, valorizam a roda de carimbó como a manifestação centenária e até mesmo secular que ela é. ” O projeto da orquestra reúne grandes talentos do carimbó da cidade, da região do Salgado e muito mais, é um trabalho que leva o carimbó muito além do que algumas pessoas podem considerar algo passageiro”, enfatiza o músico.

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