terça-feira ,28 janeiro 2020
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Religiões de matriz africana pedem mais tolerância e respeito

A origem é africana e a incorporação a cultura brasileira vem desde o século 16 quando os escravos encontraram na religiosidade uma forma de preservar as tradições do país de origem. Apesar de sua influência e importância cultural, as religiões de matriz africana foram perseguidas e, em determinados momentos históricos, até proibidas. Apesar do tempo que passou, o preconceito ainda existe. Dados da Delegacia de Combate a Crimes Discriminatórios e Homofóbicos, em 2015, mostram que apenas um caso de intolerância religiosa foi registrado. Nos dois anos seguintes foram quatro casos, em cada ano. Em 2018, o número de queixas subiu para nove e só nos primeiros meses deste ano quatro casos já foram registrados. A maioria dos casos se refere às religiões africanas.

A intolerância, o preconceito, a falta de apoio por parte do poder público e a conquista de uma data para lembrar a consciência religiosa centralizaram os discursos durante a sessão especial que marcou o Dia Municipal de Consciência das religiões de Matriz Africana na Câmara Municipal de Belém na manhã desta sexta-feira, 22. A lei nº 9478, aprovada em julho de 2019, estabeleceu que todo dia 16 de novembro será comemorada a data anualmente. A autoria é do vereador Professor Elias. Estiveram reunidos sacerdotes, umbandistas, pessoas ligadas ao candomblé e terreiros da capital, região metropolitana, distritos e de outras regiões do estado.

De acordo com o vereador, reunir pessoas ligadas a religião africana e instituir a data é uma forma de reconhecer a diversidade cultural existente no município, derivada da miscigenação dos povos diversos que constituem a base da formação do povo local e nacional. Para ele, do ponto de vista jurídico, além de ter direito reconhecidos, a população precisa ser estimulada ao convívio pacífico e harmonioso para que haja respeito à cultura e à liberdade religiosa amplamente demonstrada em estudos antropológicos e sociais. Elias também destacou que é preciso combater a violência contra os seguidores dessas religiões. “Fomos fortemente influenciados por essa cultura que tem presença nas nossas manifestações culturais”, afirmou.

Ao 75 anos Mãe Mameto Nangetur, que coordena o Instituto Nangetu de Tradição Afro-religiosa e de Desenvolvimento Social, diz que luta para que tenhamos um Pará igual, menos violento e preconceituoso. Ela contou que mora na Pirajá e sofre muita intolerância. Por várias vezes já foi mandada sair do local por pessoas que não respeitam ou não conhecem a religião. Ela também fez um pedido ao poder público. “Estamos há muitos anos pleiteando a isenção do IPTU em nossos terreiros e 25% de desconto na conta de energia elétrica. É um direito nosso, assim como as igrejas e templos evangélicos têm esse desconto. Até agora não tivemos êxito nessa solicitação”, enfatizou.

Professora e mestre do Instituto Federal do Pará, Helena Rocha, disse que os estudos e a pesquisa conseguem abrir os caminhos e combater o racismo e intolerância religiosa. Ela faz parte do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros que visa respeitar a ancestralidade, agregando o que está presente na nossa cultura, além de difusão a tolerância. “Precisamos de políticos para nos representar, de estudiosos para estarem dentro de academias e de pessoas que lutem pela igualdade. Nós mesmos precisamos ter orgulho e não vergonha de nos colocar como seguidores de religiões africanas”, disse a professora.

Advogada e seguidora das religiões africanas, Luiza Souza, disse que não deve haver tolerância e sim respeito, não só nas religiões de matriz africana, mas em todas. Ela também afirmou que é proibido instituir imposto a quaisquer templos e que o pedido feito por vários sacerdotes está amparado pela constituição. “A comissão da OAB está à disposição para informar sobre esse direito e como solicitar os meios para alcançá-lo”, encerrou.

Ao final da sessão, líderes religiosos foram agraciados com placas de menção honrosa e certificados entregues pelo vereador Professor Elias.

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