quarta-feira ,23 agosto 2017
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Religiões afro-brasileiras recebem honraria na Câmara Municipal de Belém

Plenário da Câmara abriu as portas para a cultura afro-religiosa em sessão especial.

A valorização da identidade cultural de matriz africana deu o tom da sessão especial realizada na tarde desta quinta-feira, 20, na Câmara Municipal de Belém, a pedido da vereadora Marinor Brito (PSOL), para homenagear o Dia Municipal da Umbanda e dos cultos Afro-Brasileiros, celebrado em 18 de março, em cumprimento à lei 8272, de 14 de outubro de 2003. A solenidade reuniu babalorixás, yalorixás, sacerdotes de umbanda, filhos de santo e demais representantes da cultura afro-brasileira.

Durante a sessão, questões como os crimes de intolerância religiosa a discriminação e a educação religiosa nas escolas, pautaram os pronunciamentos no plenário da Câmara. “Como defensora assídua do Estado Laico, não posso deixar de realizar esta sessão especialpara comemorar a data símbolo de resistência de um povo que, historicamente, tem sido desrespeitado de todas as formas. Não podemos tolerar qualquer tipo de preconceito em relação à liberdade de crença e exercício da fé de quem quer que seja”, disse Marinor Brito, que na abertura da solenidade anunciou que já trabalha na elaboração do projeto que cria o Dia Municipal da Interreligiosidade, para fomentar o fortalecimento de todas as religiões praticadas em Belém, independente de suas origens.

Vereadora Marinor Brito anunciou criação do Dia Municipal da Inter-religiosidade.

A atuação do poder público na defesa dos direitos das casas de matriz africana dos terreiros de umbanda e candoblé também esteve em evidência. O coordenador do Núcleo de Direitos Humanos da Defesa Civil,Johny Giffoni, disse que esses segmentos são atendidos pelo estado nas demandas relativas à intolerância religiosas, de regularização jurídica das casas, na busca pela isenção de IPTU, por exemplo. ” Desde que o Núcleo começou a dialogar com os grupos de trabalho e movimentos sociais que combatem a intolerância religiosa, essas demandas vêm aparecendo com mais frequência”, comenta Giffoni. Ele avalia que o município de Belém e a sociedade paraense de modo geral, já assimilam a necessidade de mudança na forma de agir com relação ao respeito à pluralidade religiosa. ” A gente precisa respeitar as identidades, as religiões.Se a gente é um país democrático, se a gente é um país laico, a gente tem receber todos e tratar todos com igual. Assim, essa Casa está de parabéns, porque hoje mostra que está disposta a legislar a favor da liberdade religiosa e pelo fim do preconceito e com isso, ganha a sociedade”, conclui o defensor público.

A sessão especial reuniu representantes de diversas casas e terreiros de matriz africana.

Tradição e Resistência

Desde a instituição do Dia Municipal da Umbanda, as homenagens do legislativo repercutem de forma positiva entre o povo de terreiro, de acordo com uma das suas mais respeitadas representantes, Mam´eto Nagentu, do Instituto Nagentu. ” Pra nós isso é a valorização da nossa cultura, dos nossos valores, da nossa identidade. A gente vem aqui e vê que o município reconhece a gente como povo de tradições. Isso é importante porque a gente vem de uma luta, em que tempos atrás vereadores evangélicos diziam ‘em nome de Jesus, eu voto não’, sem conhecer as nossas causas. Por discriminação. E quando você discrimina, você é preconceituoso, você é homofóbico, intolerante. E a gente não quer intolerância. A gente quer respeito pra todos nós”, declara.
Mesmo reconhecendo a importância das honrarias que a cultura afro-brasileira recebe merecidamente, para Luciano Obayltan, do Movimento Atitude Afro, é muito grande ainda a necessidade de reforçar a luta por direitos todos os dias. “A gente não quer ser tolerado. A gente quer ser respeitado. Temos que construir essa política afirmativa contra todo tipo de desrespeito e intolerância contra o nosso povo. Enquanto a gente não tiver a consciência de trazer mais um pra somar, pra estar reforçando nessa luta, realmente vai ficar muito difícil resistir”, avalia.

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