domingo ,22 outubro 2017
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Movimento Escola Sem Partido mobiliza debate em sessão especial na CMB

Uma sessão especial discutiu na Câmara Municipal de Belém na tarde desta segunda-feira,18, as influências políticas dentro das escolas. Proposta pelo vereador Sargento Silvano (PSD) a sessão sobre o tema reuniu representantes de várias entidades e organizações de apoio ao programa Escola sem Partido, um movimento nacional criado em 2004 e que vem sendo divulgado em todo o país pelo advogado Miguel Nagib que, junto com os defensores do movimento, defende os interesses de pais e estudantes contra o que consideram “doutrinação ideológica” nas escolas.
A proposta de Nagib tem motivado a apresentação e o debate de vários projetos nas câmaras municipais e assembleias legislativas pelo país, e no Congresso Nacional propondo a criação de uma lei contra o que os apoiadores do programa chamam de”abuso do direito de ensinar”.

Segundo o vereador Sargento Silvano o assunto é polêmico e por isso mesmo precisa ser amplamente discutido com a sociedade. “O tema escola sem partido hoje se tornou uma frente de luta. Políticos e parlamentares,bem como professores mais conservadores não aceitam as influências políticas dentro da sala de aula, pois sabemos que as escolas são os principais locais de recrutamento para os partidos de esquerda”, argumentou o parlamenta, que reiterou a necessidade de se conversar com a população para saber o que ela pensa da escola sem partido. ” Precisamos ouvir a opinião da sociedade sobre as ideologias política e de gênero dentro das escolas e outras questões que no nosso entender ferem a questão familiar”, ressalta Silvano.

O vereador tem um projeto de lei nesse sentido, que deverá ser apresentado na Câmara Municipal ainda esta semana. ” A principal proposta desse projeto é proteger a família, para que as doutrinas partidárias não entrem nas escolas,e que os professores tenham liberdade sim, mas para ensinar as matérias e não as doutrinas políticas e ideológicas”, conclui.

Opiniões

O estudante de Direito, Ademar Neto, de 17 anos, apoia o programa Escola Sem Partido. Ele, que sempre gostou de estudar filosofia e sociologia, acredita que a política partidária ganhou um espaço muito grande dentro das escolas, principalmente na última década, e que isso contribui para limitar o senso crítico dos estudantes porque a hegemonia do professor em sala de aula acaba fazendo com que as opiniões dele prevaleçam. ” Primeiramente devemos respeito aos professores e muitos alunos acabam tendo como verdade o que eles dizem, o que acaba limitando a curiosidade que, na minha opinião, é o que move os cidadãos a buscar informações e conhecimento sobre liberdade, democracia, evolução”.

Também a favor do programa Escola Sem Partido, a coordenadora do movimento Endireita Pará, em Belém, Nana Magalhães, defende a mobilização das famílias contra o debate político em sala de aula. Formado principalmente por mulheres, o Endireita Pará é um movimento “de posicionamento conservador e cristão, que atua em âmbito social, político e cultural”. Segundo Nana, o movimento não tem vínculo com nenhum partido político, mas apoia pautas que defendem a integridade familiar. ” a sessão de hoje atende a uma reivindicação nossa. Como mães, sentimos a necessidade de apoiar essa causa devido a doutrinação ideológica que vem ocorrendo nas escolas. Eu mesma vi que isso acontece, pois participei de algumas assembleias de estudantes e fiquei horrorizada com a forma como os partidos de esquerda influenciam os rumos do movimento estudantil”, afirma Nana que é mãe de dois filhos, de 21 e 10 anos de idade. “Esse é tipo de coisa que a gente não pode deixar acontecer. Ou a gente se une ou faz alguma coisa ou nossos filhos vão continuar na mão dessas pessoas, que usam o fato de serem professores para doutrinar os alunos e formar militância dentro das salas de aula”, denuncia.

Uma das poucas vozes a se manifestar contra a proposta da Escola Sem Partido durante a sessão especial, o estudante Rafael Galvão, de 24 anos, falou em nome da União Brasileira de Estudantes Secundaristas (Ubes). “A Ubes se opõe a toda e qualquer medida que tente silenciar o debate plural dentro das escolas, principalmente. Nós precisamos debater a realidade do país e em muitos momentos, com essa proposta da lei da mordaça,tentam silenciar esse debate e desmobilizar o movimento estudantil e político, que é real dentro das escolas e das universidades”, disse o estudante, para quem doutrinação é algo que não existe no Brasil. ” O professor tem sim que colocar uma opinião pedagógica sobre a nossa realidade, o que não significa interferir ou formar o pensamento dos jovens. O Escola Sem Partido afirma que isso é doutrinação e nós afirmamos que não existe doutrina no nosso país, porque o Brasil é um país muito plural de ideias, de raças, de cores. Então o que há na verdade são os debates acalorados, políticos de fato”, declarou o secundarista.

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