sábado ,23 setembro 2017
Home / Vereadores / Mauro Freitas / Homenagem à Dona Onete marca promulgação da Lei Pinduca na CMB  

Homenagem à Dona Onete marca promulgação da Lei Pinduca na CMB  

Tocar carimbó nas rádios de Belém, agora é lei. Mais precisamente a lei municipal nº 9.276, denominada Lei Pinduca, que institui o “Momento do Carimbó” na programação das emissoras de rádio da capital, promulgada na manhã desta quinta-feira,1º, pela Câmara Municipal a  pedido do prefeito Zenaldo Coutinho. Durante a solenidade de promulgação da nova lei, a Câmara homenageou com a medalha e diploma de mérito cultural Mestre Verequete,  à cantora e compositora Ionete da Silveira Gama, a popular  Dona Onete, pelo trabalho que a artista paraense vem fazendo para  divulgar a cultura regional.

Com a presença de Dona Onete, Pinduca, e Augusto Rodrigues, filho de Mestre Verequete, a cerimônia teve a representatividade das principais expressões do carimbó no Pará. O reconhecimento traduzido na lei que leva o seu nome, é motivo de orgulho para Pinduca, que já incorporou o título de Rei do Carimbó. ” A Casa usou meu nome sem me falar nada, sem eu saber. É aí que está a beleza da coisa. Fui surpreendido com o convite para vir aqui e hoje participo da promulgação da lei. Estou muito contente e modéstia à parte, eu tive merecimento”, disse o cantor, que comemora o feito de 38 discos gravados e divulgados no Brasil e no mundo.

Para a família do Mestre Verequete, a Lei Pinduca é um grande avanço na valorização do carimbó. ” O carimbó  é sempre raiz. Então a nossa cultura era valorizada, mas agora vai ser ainda mais com essa lei, que obriga as rádios a tocarem nossos ritmos paraenses, um ritmo tão gostoso como o nosso carimbó, tanto o eletrificado quanto o carimbó de raiz. A gente espera que isso dê um incentivo muito grande a outros grupos que estão lá atrás, estão esquecidos e outros surgirem para o bem desse ritmo que é patrimônio cultural do Estado”, declarou Augusto Carlos, filho de Verequete.

Museu da Música

Esbanjando simpatia e vitalidade, a homenageada do dia foi o centro das atenções. Aos 77 anos, Dona Onete comemora o sucesso e o reconhecimento com a sabedoria de quem lutou muito para chegar a essas conquistas e aproveita o momento para reforçar na Câmara Municipal o pedido já feito ao prefeito Zenaldo Coutinho, por um espaço que possa ser destinado ao Museu da Música Paraense. ” Eu joguei aqui a minha idéia. Eu pedi ao prefeito que destinasse o Solar da Beira para ser o museu da música paraense, mas os vereadores pensaram num lugar até melhor, que vai poder receber não só a história da nossa música, mas também dos nossos escritores, dos nosso pintores. A ideia é que também seja um lugar de pesquisa”, explica D.Onete.

Sobre o pedido, o vereador Mauro Freitas informou que já está em tramitação na Casa projeto que propõe a destinação do Palacete Pinho para a instalação do museu paraense de cultura, e que a proposta de Dona Onete será incluída no documento.

Ao receber a homenagem dos vereadores, Dona Onete ressaltou o destaque que o carimbó vem conquistando pelo mundo afora.  “Eu estou muito feliz com essa lei. Por levar o nome do Pinduca que também luta muito, que também já foi muito criticado, mas ninguém sabe como é difícil o carimbó ser tocado, e ele já tocava, já fazia show e viajou muito também.  Agora chegou a vez da D. Onete levar o carimbó para fora do Brasil, o que eu venho fazendo e explicando pra todo mundo o que é o pitiú”, brinca.

Sobre o sucesso “No meio do pitiú”, Dona Onete conta que no início a música tocava no interior e era vendida em CDs piratas  por camelôs, mas logo chegou às rádios e hoje é ouvida até fora do país. “Pra mim foi uma felicidade, porque já teve uma época, numa maré muito pequena que as rádios tocavam carimbó, mas logo passou e outros ritmos tomaram conta. Mas agora, é uma dança tão ingenuamente pura, que a gente nem precisa de cavalheiro, a gente chega, dança, bebe uma jamburana, uma cachaça de jambú e fica maluca e dança mesmo. E uma flor no cabelo. Uma mulher não sabe o quanto é bonito ela botar uma flor no cabelo, uma boca pintada”, recomenda a rainha do “carimbó chamegado”.

Nas ondas do rádio

Para o autor do projeto que culminou na Lei Pinduca, vereador Mauro Freitas PSDC) o momento foi de satisfação e muito orgulho, em especial pela promulgação da lei ter sido na sua gestão como presidente da Câmara Municipal, mas ele também ressaltou que a população pode e deve contribuir para fazer valer a nova lei.  ” Daqui a alguns dias, com a publicação em Diário Oficial, a Lei Pinduca estará valendo e estaremos na luta para  incluir nosso carimbó em todas as rádios AM e FM e rádios comunitárias no nosso município e queria pedir a você cidadão que nos ajude. Que ligue para as rádios e peça pra ouvir o carimbó. É o nosso momento de fazer valer a nossa vida, a nossa história e não podemos deixar passar”, afirmou Freitas.

A  Lei Pinduca também tem aprovação e apoio do Sindicatos dos Radialistas do Estado do Pará. De acordo com o diretor sindical Frank de Castro, a expectativa agora é de que as rádios abram mais espaço para os ritmos regionais. ” Como eu já disse antes,  fico triste de precisar de uma lei para conseguir isso. Mas que bom que tem pessoas como o vereador Mauro Freitas que se sensibilizou e viu a necessidade de ter uma lei para que as rádios possam enfim tocar não só o carimbó, mas o nosso siriá, o nosso lundu, o samba de cacete, o banguê, tantos ritmos que são do Pará, mas infelizmente não têm o reconhecimento necessário nas rádios paraenses”, disse o radialista, complementando que o Sindicato estará acompanhando e incentivando as emissoras a cumprirem a lei.

.

Você pode Gostar de:

Câmara aprova Dia Municipal do Açaí

O Dia do Açaí entrará no calendário de eventos municipais, conforme lei aprovada nesta quarta-feira, …

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *