domingo ,22 outubro 2017
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Festa da Chiquita é tema de sessão especial na CMB

       Eloy Iglesias, coordenador da festa, durante o pronunciamento

A coordenação da festa da Chiquita, representantes do movimento LGBT, Defensoria Pública, OAB, Secretaria de Direitos Humanos, Iphan e vereadores de Belém se reuniram na tarde desta terça feira, 19, para discutir sobre a organização, segurança e funcionamento da tradicional festa que completa 39 anos em 2017. A sessão especial foi proposta pelo presidente da Câmara, vereador Mauro Freitas (PSDC).

Para Mauro, trazer para à CMB a discussão de um assunto tão polêmico e que gera muito preconceito foi um avanço. O presidente lembrou que apesar das diferenças políticas, religiosas e ideológicas, o debate foi aprovado à unanimidade entre os parlamentares.  Mauro citou ainda que já existe um projeto de lei autoria da vereadora Marinor Brito (PSOL) que concede a festa o Título de Patrimônio Cultural e Imaterial de Belém. O projeto foi rejeitado no início deste ano, mas deve voltar à pauta até dezembro a pedido dos vereadores.

Vereador Mauro Freitas mostra as assinaturas dos vereadores solicitando que o projeto volte à pauta

A festa da Chiquita ocorre na Praça da República desde a década de 70 e tradicionalmente reúne o público alternativo, logo após a passagem dos peregrinos que seguem a imagem de Nossa Senhora na procissão da Trasladação, a segunda maior das romarias oficiais do Círio. Ciro Lima, representante do Iphan, lembrou que apesar de não ter o reconhecimento municipal, em 2004, a festa foi reconhecida como Patrimônio Cultural e imaterial pelo Iphan, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Em 2015, O Círio de Nazaré e os bens associados foram considerados Patrimônio da Humanidade pela Unesco, o que incluiu, entre outros, o arrastão do pavulagem, os brinquedos de miriti e a festa da Chiquita.

Outros vereadores de Belém presentes na sessão também foram a favor da aprovação da concessão do título pela CMB. Igor Normando (PHS) afirmou que a Câmara precisa construir pontes e não muros quando se trata de assuntos como esse. “Muito mais que uma manifestação cultural, a festa da chiquita é diversidade de gênero, de religiosidade. Estamos aqui pra respeitar isso e para lutar por causas de minorias também”. Para Fernando Carneiro  (PSOL) a festa já é reconhecida de fato pelos munícipes de Belém como patrimônio, só falta ser reconhecida de direito. “Isso vai facilitar a captação de recursos, ninguém mais vai sofrer com a possibilidade do evento não acontecer a cada ano e tudo pode se tornar mais organizado”, completou Carneiro.

             Vereador Igor Normando durante o pronunciamento

Beto Paes, da Gerência de Livre Orientação Sexual, na ocasião representando a Secretaria de Diretos Humanos, ressaltou que há 11 anos a instituição apoia a festa e que o diálogo como esse era necessário. “É importante que a gente valorize esse evento que não é só uma festa. É liberdade, é amor. É o elo que liga o sagrado e o profano, com respeito mútuo”. A vice presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB, Juliana Fontelles, acrescentou que a festa também serve como uma bandeira de luta para combater o preconceito e a discriminação.

Mesmo tão tradicional, a chiquita ainda sofre com a polêmica gerada em torno do sagrado e do profano. Eloy Iglesias, coordenador do evento, esclareceu que a festa não interfere na trasladação, já que só começa após a passagem da santa e independente do horário em que isso acontece, a festa tem que encerrar a 1h da madrugada. Eloy disse ainda que a organização do evento se preocupa em não trazer danos para a praça. “O que levamos pra o lado do Teatro da Paz é cultura, valorização dos nossos ritmos, cantores regionais e muita alegria pela passagem da nossa padroeira dos paraenses. Esse ano, estaremos lá de novo e não só o público LGBT está convidado, mas toda a população de Belém e os turistas.”, concluiu.

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