sexta-feira ,13 dezembro 2019
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Dia Mundial sem Carro motiva debate sobre alternativas de mobilidade em Belém

Roda de conversa na CMB discute propostas de melhorias para o dia no trânsito de Belém.

Já chega a 1,35 milhões o número de mortes por acidente de trânsito em todo o mundo, sendo a principal causa mortis de pessoas entre 5 e 29 anos.  No Brasil os números assustam: são 47 mil mortes por ano, 5 mortes por hora, 20 feridos graves por hora e 1,5 milhões de feridos entre os anos de 2009 e 2019, o que implica em 3 bilhões de reais gastos pelo SUS no atendimento das vítimas.

Os  dados são da Organização Mundial da saúde (OMS) e foram apresentados na manhã desta terça-feira,24, na Câmara Municipal de Belém, durante a sessão especial convocada pelo vereador Fernando Carneiro (PSOL) em alusão ao Dia Mundial sem Carro, data celebrada internacionalmente  no dia 22 de setembro com o objetivo de incentivar a reflexão sobre o uso excessivo do automóvel, além de propor que as pessoas experimentem formas alternativas de mobilidade como a caminhada, a bicicleta ou mesmo o transporte público.

Transformada em uma roda de conversa a sessão reuniu principalmente ativistas do ciclismo como meio de mobilidade urbana.  “Quando se fala em Dia Mundial sem carro,  a gente logo pensa no uso da bicicleta e na acessibilidade das calçadas, o que é natural quando se sabe que no Brasil existem 51 milhões de automóveis. Mas a discussão vai muito além disso. Inclui qualidade de vida, preservação do meio ambiente e humanização do trânsito”, avalia Fernando Carneiro.

Indo além do debate, os participantes apresentaram sugestões práticas para a melhoria do sistema de trânsito em Belém que serão reunidas em um documento para encaminhamento ao governo municipal. A jornalista Melissa Noguchi, do coletivo Pedala Mana, informou que em 2017  foi iniciado um diálogo com a Prefeitura de Belém sobre infraestrutura modal para a bicicleta e para os pedestres. “A gente elaborou junto com eles, via Seurb, Semob e Sesan, um documento com pontos estratégicos de colocação de paraciclos em toda a cidade. Eram mais de 50 pontos, mas até agora foram colocados cinco apenas. É preciso pontuar também a questão da fiscalização. A gente precisa que a Semob fiscalize de fato ciclovias e ciclofaixas na cidade, principalmente as ciclofaixas onde a incidência de acidentes com ciclistas é maior”, ressalta.

Como proposta para envolver toda a população na melhoria do trânsito de modo geral, a vereadora Enfermeira Nazaré (PSOL) sugeriu a realização de uma ampla campanha pelo coletivo, de forma a tornar o trânsito menos individual. “Eu acho que hoje a lógica já mudou quando se trata de mobilidade. Se antes o sonho de todo jovem era ter o seu próprio carro, hoje a maioria pensa primeiro em ter uma formação profissional e em viajar. Então podemos usar essa mudança a favor de uma consciência maior sobre a segurança no trânsito”, argumenta a vereadora.

Relatório

“O mais importante é perceber que não existe alternativa viável que não seja combatendo a lógica capitalista. Exemplo claro disso aqui em Belém é que enquanto na avenida Nazaré tem agentes da Semob fiscalizando faixas duplas de veículos, na periferia não se vê esses agentes ajudando na travessia de estudantes na frente das escolas públicas”, pontuou Netto Dugon, do coletivo Pará Ciclo. Ele também anunciou a divulgação dos resultados da primeira contagem sistemática de viagens realizadas por bicicletas em Belém.

De acordo com o relatório da pesquisa realizada pelo ParáCiclo, no final de janeiro de 2019, mais de 55 mil viagens foram computadas em seis pontos da cidade. Para o coletivo esses números são uma uma prova da grande demanda de infraestrutura própria para os usuários de bicicleta na cidade. “Os números apurados, representando a realidade da cidade, podem colaborar para que prefeitura e Estado desenhem e consolidem políticas públicas que realmente incentivem e garantam o direito das pessoas em optar por um deslocamento utilizando modais ativos na cidade”, avalia Netto.

Como morador de periferia e usuário de transporte público, o servidor da CMB, Alberto Carlos Almeida, manifestou sua preocupação com os constantes problemas enfrentados por ciclistas no trânsito de Belém. Para ele, o uso de carro há muito tempo é uma necessidade para os cidadãos. “Eu quase não uso bike, mas tenho filhos e netos que usam e precisam ter segurança para fazer os trajetos para a escola, para o trabalho. Então é preciso que essa casa fiscalize mais o cumprimento da legislação que garanta essa segurança para ciclistas e pedestres. Nós queremos a liberdade de andar a pé ou de bike e deixar de nos acomodar dentro dos carros”, declarou o servidor.

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