domingo ,22 outubro 2017
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Debate sobre violência e segurança pública lota o plenário da Câmara

 

Reverência e respeito aos policiais vítimas da violência em Belém.

Agentes de segurança pública, entre policiais civis e militares, bombeiros e guardas municipais, além de familiares de policiais vítimas da violência em Belém e representantes do poder público, lotaram o plenário da Câmara Municipal de Belém na tarde desta quarta-feira,3. A sessão especial que discutiu o crescimento da violência na capital atendeu o requerimento do vereador Sargento Silvano (PSD).

Questões como o salário defasado dos policiais, ausência de equipamentos adequados para o exercício da profissão e qualidade de vida dos profissionais da segurança pública pautaram o debate. Dados coletados pelo vereador autor da sessão, apontam que de janeiro a  abril deste ano 22 PMs foram vítimas da violência em Belém. ” Não podemos ficar de braços cruzados ou calados diante de tudo isso. A sociedade sofre diante da insegurança e todos aqui presentes sabem das dificuldades que enfrentamos, por isso nós chamamos à sociedade para que a gente encontre juntos, as soluções necessárias para segurança pública e para que possamos de fato construir uma sociedade melhor”, declarou Sargento Silvano.

Aprovada à unanimidade pelos vereadores, a sessão especial contou com a presença dos parlamentares Marinor Brito (PSOL), Fernando Carneiro (PSOL), Fabrício Gama (PMN), Joaquim Campos (PMDB) Igor Normando (PHS), Delegado Nilton Neves (PSL), Emerson Sampaio (PP) , Bieco (PR) e Blenda Quaresma (PMDB).

Posicionamentos

Para a vereadora Marinor Brito, a pauta é de relevância extrema para a sociedade. ” Estamos vivendo um estado de quase barbárie. Belém e o Pará estão entre os locais em que mais se mata com armas de fogo e a mudança desse quadro passa pelo respeito aos direitos fundamentais do cidadão, como educação, cultura e saúde”, disse a parlamentar, que também criticou a ausência de um representante da Secretaria de Segurança Pública do Estado, na reunião. ” Não dá pra aceitar a ausência da Segup, que deveria estar aqui para dizer o que está fazendo para frear a violência contra a população, contra seus próprios servidores”, afirmou.

Representando a Prefeitura de Belém, o secretário municipal de Juventude, Esporte e Lazer, Wilson Neto, fez um recorte no tema violência, para abordar a situação dos jovens no contexto geral. ” A juventude é talvez o segmento da sociedade mais afetado pela violência, e precisamos ter consciência de que sozinhos não vamos conseguir mudar isso”, disse o secretário, acrescentando que é preciso a união do poder público, igrejas, conselhos tutelares e movimentos sociais na articulação de ações que afastem os jovens da criminalidade.

Já para o presidente estadual do Partido Militar Brasileiro, Alessandro Araújo, o que favorece o crescimento da violência é o que ele chama de inversão de valores. ” O que se vê são leis sendo feitas pra beneficiar bandidos. Isso é incitar a violência, é desmoralizar o agente de segurança. É uma visão deturpada de fazer leis. Há inversão de valores no nosso país, temos que lembrar que o agente de segurança também é cidadão, é um trabalhador que fez a escolha de arriscar a sua vida para proteger a sociedade”, argumenta.

Plenário lotado na sessão especial que discutiu soluções para o crescimento da violência na capital.

Respeito  

Em memória dos policiais vítimas da violência, um vídeo foi exibido durante a sessão . Mais do que uma homenagem, as imagens lembraram aos presentes as perdas que as famílias estão tendo que enfrentar, como é o caso da dona Sandra Maria Nunes, que perdeu o filho Mário Jorge Nunes, policial militar morto durante um assalto em janeiro deste ano. ” Vim aqui manifestar minha tristeza com a falta de respostas ao caso do meu filho, pois até hoje não temos informações sobre o assassino”, lamenta.

A fundadora e presidente do Movimento pela Vida (Movida), Iranilde Russo, participou da sessão especial chamando a atenção para a questão da impunidade.” Todos que acompanham minha luta sabem que meu filho morreu vítima da conduta reprovável de oito policiais, que foram punidos, mas isso não pode nos levar a criminalizar toda um corporação, porque ai de nós, sociedade civil, se não tivermos a polícia do nosso lado. Precisamos, sim, lutar contra a impunidade em todas as suas formas e o nosso trabalho acolhe tanto vítimas de meliantes como vítimas de agentes de segurança, o que não significa que somos contra a polícia”, ressaltou Iranilde.

À frente do Comando de Policiamento da Capital, o  tenente coronel Luiz Rayol, avalia que iniciativa de debater  sobre violência e insegurança pública levanta outros questionamentos, como as causas desses problemas sociais. “Estudiosos já concluíram que a violência é o desrespeito ao direito do cidadão e como tal, conclui-se também que segurança pública não se faz só com polícia, pois não há como falar em segurança pública se o cidadão não tem seus direitos básicos garantidos’, declarou o oficial.  Ele disse ter observado durante a reunião, que muito se falou sobre a valorização do agente público, por meio de melhores remunerações, logística de trabalho e condições de moradia e que atender essas demandas passa pela necessidade de investimentos. ” Sem investimentos não há solução. E a destinação de verbas nasce nessa casa, na Assembleia Legislativa, por isso a importância do apoio dos parlamentares nessa causa. Portanto iniciativas como essa, que abre esse debate, são fundamentais”, concluiu.

 

 

 

 

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