segunda-feira ,11 dezembro 2017
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Debate sobre igualdade racial marca o Dia da Consciência Negra na CMB

Grupo de capoeira deu o tom cultural à sessão especial realizada pelo vereador França na Câmara Municipal de Belém.

No Dia Nacional da Consciência Negra, o plenário da Câmara Municipal de Belém foi cenário de discussões e debate em torno dos desafios diários que os negros ainda têm que enfrentar para fazer frente à discriminação e ao preconceito. Uma sessão especial realizada pelo vereador França (PRB) reuniu representantes de diversas entidades de luta do movimento negro na CMB. “Há pessoas que ainda não entendem a importância dessa data, por isso estamos trazendo essa discussão para dentro da Câmara Municipal, para debater sobre o que se pode fazer para que o negro possa avançar mais na sociedade”, declarou o vereador França.

O parlamentar avalia que mudar a realidade do negro está nas mãos do próprio negro. ” Eu creio que existem negros acomodados em determinada situação, conformando-se por exemplo em viver de cotas sociais, e em situações impostas a eles, quando na verdade eles têm plena capacidade de ocupar seu espaço. Então hoje, mais do que um dia de homenagens, deve ser um dia de luta da pessoa negra por esse espaço”, destacou.

Entre os participantes da sessão estiveram o coordenador da Comissão de Igualdade Racial e Defesa dos Quilombolas da OAB-PA, Jorge Farias, Byany Sanches,conselheira nacional de Igualdade Racial, Vanusa Cardoso, presidente da comunidade quilombola do Abacatal, em Ananindeua, Letícia Santos, coordenadora estadual do PRB-PA, os advogados Paulo Victor Squires e Fábio Freitas e o vereador Fabrício Gama (PMN).

Vidas negras

Em relação à data e o sentido do Dia Nacional da Consciência Negra o coordenador da Comissão de  Igualdade Racial e Defesa dos Quilombolas da OAB-Pará, Jorge Farias, disse que por um lado há uma movimentação muito grande pelas escolas, pelos movimentos sociais negros, o que significa que a sociedade está compreendendo a necessidade de promover a igualdade racial e excluir o racismo das relações sociais. “Por outro lado ainda há um longo caminho a percorrer e muitos direitos a ser conquistados. Os números revelam  por exemplo que entre os desempregados os negros são maioria, assim como as mulheres negras e os jovens negros são maioria na estatística de mortes por assassinato. Ainda há ausência de políticas públicas para equacionar essa problemática”, afirma Farias.

A violência que mata cada vez mais jovens negros no Brasil também foi destacada pela representante do Conselho Nacional de Igualdade Racial, Byany Sanches. Para Byany, 2017 mais do que outros anos tem sido profundamente triste para o povo negro. ” Este ano os dados da violência contra jovens negros cresceram 18% em enquanto os de  jovens brancos diminuiu 12%. Com isso, de 100 mortes por armas de fogo, 71 são de jovens negros. Esses dados alarmantes, nos levam a um único diagnóstico: Não querem nossa juventude viva. Querem nossos jovens mortos”, desabafa a conselheira. Ela destacou ainda a parceria do Conselho com a Organização das Nações Unidas para enfrentar o problema. ” A ONU  levantou uma bandeira agora,Vidas Negras, uma campanha que vem com o intuito de que a gente possa aprofundar esse debate em todo o Brasil para que se faça uma política pública que possa frear essa violência. A idade média de um jovem negro é de 33 anos. Nossa vida é interrompida muito cedo. Precisamos fazer frente a essa situação. Zumbi só nos representa, só nos faz a cada dia respirar essa luta”, concluiu Byany.

 

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