segunda-feira ,11 dezembro 2017
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Debate destaca importância da conscientização massiva sobre a doação de órgãos

Em 2004 o diagnóstico de Hepatite C mudaria drasticamente a vida da ex-servidora pública Nilva Maria Vieira. O tratamento exigiu que ela buscasse atendimento em São Paulo, onde ficou por três meses, mas de lá foi encaminhada para Porto Alegre (RS) e depois de um ano passou pela cirurgia de transplante de fígado e rim. Dez anos depois, Nilva continua fazendo a manutenção do tratamento, o que não impede seu engajamento na causa pela doação e captação de órgãos em Belém.

Para reforçar essa luta, o vereador Celsinho Sabino (PSC) realizou na manhã desta sexta-feira, 25, sessão especial na Câmara Municipal de Belém, reunindo representantes de diversas entidades e órgãos públicos envolvidos na grave questão da fila de espera por doadores. Para o parlamentar, a desinformação e o preconceito que ainda persistem em relação às doações são determinantes para o quadro atual em Belém. Entre as iniciativas que podem ajudar a reverter esse quadro, está o projeto de lei de autoria de Celsinho, já em tramitação na Casa, que propõe o incentivo às doações de órgãos por meio da criação de uma carteira de doador, que dará ao portador o direito a benefícios como meia-entrada em cinemas, shows e demais atrações culturais na capital. O vereador avaliou como positivo o debate sobre o tema, realizado na CMB. ” Foi muito proveitosa a discussão. Conseguimos reunir opiniões e sugestões qualificadas que com certeza contribuem para que a questão da captação e doação de órgãos em Belém seja tratada com a importância que tem para a vida de quem depende de um transplante. Agora vamos ampliar a discussão no plenário”, disse Sabino.

 

D.Nilva Freitas exibe a foto do tempo em que a Hepatite C minava a sua saúde, antes do transplante de fígado e rim.

Dando voz aos transplantados, Nilva Vieira, faz questão de incentivar a doação de órgãos em qualquer situação. Ela costuma mostrar uma foto em que aparece com o abdômen inchado por causa da doença, antes do transplante. ” Essa foto é a prova viva da minha doença e de que o milagre existe desde que você tenha fé em Deus e o tratamento adequado. O transplante mudou tudo na minha vida”, afirma Nilva. Ela critica a deficiência do serviço de Tratamento Fora de Domicílios (TFD) no município, segundo ela, a principal causa dos problemas enfrentados pelos pacientes renais ultimamente. ” Se não tem condições de tratar aqui, porque não enviar para outros locais? Eu vejo gente que faz diálise por oito anos aqui e às vezes não recebe nem a medicação necessária”, lamenta.

Um dos depoimentos mais impactantes durante a sessão especial foi o de Dolores Santos, que há 17 anos precisa de novos rins, mas não conseguiu se habilitar à fila de espera. ” Por muitos motivos não consegui me efetivar na fila, mas não é por isso que estou aqui hoje. Não é nem por um transplante, porque pra mim já não adiantaria. Estou aqui pela causa,para que outras pessoas não precisem passar pelo que eu passo, porque quem vive de hemodiálise não pode sequer fazer planos para o futuro. Hoje luto não só por mim, mas pela minha família, pelos meus amigos, pelos amigos dos meus amigos, porque é terrível ver pessoas morrendo numa máquina de diálise”, declarou Dolores. “Espero que com tudo isso que foi discutido aqui, se abra uma porta para a divulgação, a conscientização da mídia e do público para esse problema. Agradeço por essa iniciativa e a todas as pessoas que vieram aqui hoje contribuir com esse debate”, concluiu, referindo à sessão especial realizada pelo vereador Celsinho Sabino.

Segundo dados da Central de Transplantes do Pará, em 2016, foram realizados no Pará 195 transplantes de córnea e 57 transplantes de rim. Até julho deste ano os registros indicam 500 pessoas à espera de uma córnea e 1000 pessoas na fila de espera por um rim. A relação continua desproporcional o que, na avaliação da coordenadora da central, Ana Beltrão, se deve a fatores como a falta de cultura e informação da população, o que fica muito claro na constante negativa das famílias em doar os órgãos dos seus entes falecidos. ” Nem é tanto a fila de espera, é o tempo que se passa nessa fila. Às vezes você olha uma fila com mil pessoas, mas se a pessoa passa três meses nessa fila, é considerado fila zero, como já acontece em São Paulo com a doação de córneas”, explicou Ana Beltrão, elogiando a iniciativa do vereador Celsinho Sabino em colocar o tema em debate.

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