segunda-feira ,11 dezembro 2017
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Crise Financeira do Museu Goeldi é tema de debate na CMB

Vereador Fabrício Gama durante o discurso

O que fazer para que o Museu Paraense Emílio Goeldi não feche as portas? Como garantir os recursos do governo federal? Esses entre outros questionamentos foram discutidos na sessão especial da manhã desta sexta feira, 15, na Câmara Municipal de Belém. A proposta de debate foi do vereador Fabrício Gama (PMN) e reuniu vereadores de Belém, funcionários do museu, e o diretor geral Nilson Gabas Jr., além do Secretário de Estado de Ciência e Tecnologia, Alex Fiúza de Melo e representantes da OAB.

Fabrício Gama explicou que a ideia de conversar sobre o assunto foi suprapartidária, com a intenção de ouvir os funcionários da instituição. Ele relatou ainda que muitos políticos têm falado sobre o assunto em redes sociais e informando que já conseguiram o valor necessário para manter o museu funcionando mas, segundo o vereador, os R$ 3 milhões garantidos até agora só sustentam o museu até o final deste ano. “O problema é como a situação vai ficar em 2018. Vamos trabalhar para que o museu não feche. Vamos nos mobilizar”, disse Fabrício.

A possibilidade do fechamento do museu Goeldi foi anunciada no início do mês de setembro. A instituição sofreu corte de cerca de R$ 6 milhões (50%) nos recursos previstos para este ano, mesmo tendo feito a contenção de gastos imposta pelo governo federal. Dessa forma, o museu não teria mais como fechar o orçamento para 2017. Segundo o diretor geral do Goeldi, Nilson Gabas, a dificuldade financeira começou em 2015 com a redução significativa dos investimentos e cortes no setor de pesquisa. “Em julho deste ano eu percebi que não dava mais pra instituição manter o funcionamento. Tivemos que pedir ajuda. Os funcionários, a cidade de Belém e o Brasil se mobilizaram pela causa e conseguimos avançar resgatando alguns recursos. Mas a situação ainda não foi resolvida, 2018 está na porta e não temos nenhum recurso garantido”, completou Gabas.

Nilson Gabas, Diretor Geral do Museu Emílio Goeldi

O Museu Emílio Goeldi

A instituição pública é a mais antiga da Amazônia e está vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Durante os 150 anos de existência, o Goeldi desenvolveu um enorme acervo para conhecimentos nas áreas de ciências humanas relacionadas à Amazônia e promove pesquisas e estudos científicos, sendo  reconhecido mundialmente como uma das mais importantes instituições de investigação científica sobre a Amazônica Brasileira.

Atualmente, 237 servidores fazem parte do quadro de funcionários e estão distribuídos em três bases físicas: o parque zoobotânico, o campus de pesquisa e a Estação Cientifica Ferreira Penna. O parque, que é uma das principais áreas de lazer da população de Belém, possui cerca de 2 mil árvores e 600 animais, muitos deles ameaçados de extinção, além de um aquário com uma mostra de peixes e ambientes aquáticos amazônicos. Anualmente o local recebe 400 mil visitantes, entre moradores de Belém e turistas.

vereadores manifestam seu apoio aos funcionários do Museu Goeldi.

Há 31 anos trabalhando no museu o funcionário da Ouvidoria, Inácio Leite, relatou emocionado as dificuldades que têm sido enfrentadas no dia a dia. Inácio disse que esse não é o único momento de crise que o local já enfrentou, mas que a união dos funcionários e o carinho da sociedade têm ajudado a superar tudo. “Da mais simples pessoa dessa cidade à mais alta autoridade, todos já visitaram esse nosso belo parque. Aqueles brinquedos, como o cavalinho que tem mais de 70 anos estão no álbum de fotos da nossa infância. Vamos buscar todos os caminhos para não deixar o museu desaparecer da nossa história”, concluiu.

Foto: Site oficial do MPEG.

O futuro do museu

O secretário de Estado de Ciência e Tecnologia, Alex Fiúza de Melo, declarou que é preciso um esforço coletivo e que a crise não é só no Museu Goeldi, mas em todas as instituições de ciência e tecnologia do país. Alex Fiúza disse ainda que o governador do estado, Simão Jatene, se colocou à disposição para intervir no que for possível para manter o local funcionando. “O que está em jogo não é o vínculo jurídico da instituição. Se ela é mantida pelo governo federal, municipal ou estadual, não importa. Todos temos que nos mobilizar dada a relevância que o museu tem pra nossa cidade e para o Brasil, como referência e  uma quantidade enorme de conhecimentos que não podem ser perdidos”.

Para fechar a discussão, vereadores, funcionários do museu e a população presente iniciaram a elaboração da Carta “Belém abraça o Museu Emílio Goeldi”, que além de sugestões e pedidos, terá assinaturas. O documento será enviado ao governo federal, no intuito que o mesmo repense sobre os cortes orçamentários do MPEG, que é um dos maiores centros de pesquisas da América Latina. A comissão responsável pela finalização da carta será composta por vereadores, deputados estaduais e federais, e senadores.

 

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