domingo ,22 outubro 2017
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Carimbó anima sessão especial que discutiu a Lei Pinduca na CMB

No ritmo do mais autêntico carimbó, a Câmara Municipal de Belém realizou na tarde desta quarta-feira,17,  a sessão especial que discutiu a inclusão do ritmo regional nas rádios de Belém, a partir da Lei Pinduca, originada no projeto de lei de autoria do presidente da CMB, vereador Mauro Freitas (PSDC) que torna obrigatória a execução das músicas de carimbó na programação diária das emissoras de rádio da capital. A proposta foi encaminhada para a sanção do prefeito Zenaldo Coutinho, mas segundo anunciou Mauro Freitas, o prefeito determinou que a lei seja sancionada pela própria Câmara.

O projeto de lei será encaminhado para conhecimento das emissoras de rádio e para a sua aplicação, a Câmara Municipal terá acompanhamento da Ordem dos Advogados do Brasil- Seção Pará e assessoria jurídica da Casa.

Para o autor do projeto, a iniciativa teve “um gosto amargo, mas necessário”. De acordo com Mauro Freitas é de certa forma constrangedor que seja preciso uma lei para garantir o espaço que a música regional deveria ter na mídia local. “A lei Pinduca não trata apenas da cultura do carimbó, mas das raízes culturais amazônicas que têm base indígena. Tratar do carimbó é tratar de cada um de nós. É isso o que eu quero que os donos das emissoras entendam.Espero que a partir desta sessão nós possamos realmente implantar essa lei e que o povo do Pará tenha o prazer de escutar diariamente nas rádios abertas a nossa  música e com isso e valorizar cada vez mais nossos artistas e nossos ritmos”, declarou o vereador.

O representante do Sindicato dos Radialistas do Pará, Francisco Castro, endossou as palavras do presidente da CMB. ” É verdade que, infelizmente, foi preciso se tornar lei a atitude de fazer com que os donos das emissoras de rádio tenham consciência  de que não só o carimbó, mas toda a cultura regional precisa ser valorizada e reconhecida não só pela imprensa, mas por toda a sociedade. Essa foi a maneira que o vereador encontrou para dar ‘uma cutucada’ nas empresas e garantir esse espaço de valorização”, destacou.

Pinduca, Mestre santinho, do Grupo de Carimbó Pindorama, e o vereador mauro Freitas.

Valorização

Com o respaldo de 38 discos gravados, que já lhe renderam dois discos de ouro, e dois DVDs, o cantor, compositor e produtor  Pinduca, uma das principais expressões do carimbó no Pará, avalia que a lei que leva o seu nome chega para reforçar o esforço pela maior divulgação do ritmo na capital. ” Fico muito contente com esse reconhecimento. Isso demonstra que o autor está atento ás necessidades da nossa cultura e eu quero muito agradecer não só por mim, mas por todos nós que fazemos carimbó no Pará. Precisamos de muita divulgação pra fazer aqui na capital principalmente, o que os nordestinos fazem com o forró, por exemplo”, afirma Pinduca, que também defende a criação de um local especifico para apresentações de carimbó em Belém, que seja referência dessa expressão folclórica para todos os que chegam ao Pará. “O carimbó é divulgado no Brasil e no mundo, mas não existe um local próprio para ele aqui. Precisamos disso. Aproveito para pedir humildemente aos programadores das rádios de Belém, que toquem o nosso carimbó. Não é pedir muito. Queremos apenas que nos ajudem a manter essa coisa bonita que é o carimbó”, disse o cantor.

Toda iniciativa que venha para fortalecer a cultura regional é válida, na opinião do diretor do Balé Folclórico Amazônico, Eduardo Vieira, que participou da sessão especial da CMB e vê com otimismo a criação da lei que garante maior divulgação do carimbó nas rádios. ” Quanto mais espaço nas rádios e nos veículos de comunicação de modo geral, mais valor pra essa gente que produz, canta e dança o carimbó. Hoje existe uma carência na divulgação desse trabalho e se a lei suprir essa necessidade, é muito bem vinda”, declara Vieira. Há 27 anos o Balé Folclórico da Amazônia leva o canto e a dança amazônica para além das fronteiras do Pará, em turnês que já passaram por países como a Venezuela, Equador, México, Portugal, Suiça, França, Espanha, Luxemburgo,Bélgica e Itália.

Patrimônio

O diferencial na sessão especial desta quarta-feira, na CMB, foi o ritmo contagiante do grupo de carimbó Pindorama que, ao comando do Mestre Santinho, se apresentou no intervalo dos pronunciamentos.

Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil desde setembro de 2014, o carimbó encontra nos grupos de raiz, seus mais dedicados defensores, que ainda enfrentam dificuldades para manter as tradições culturais. ” Nossa luta por esse reconhecimento começou em 2005, em Santarém Novo, e hoje continuamos a buscar recursos para manter nossas atividades e disseminar entre os jovens a cultura do carimbó de raiz”, declara mestre Nivaldo, do Movimento Carimbó Patrimônio Cultural Brasileiro.

Pelo comitê de registro do carimbó como Patrimônio Cultural e Imaterial Brasileiro, Maria Rocha elogiou a iniciativa de criação da lei Pinduca, mas ressalvou a questão da obrigatoriedade. “Nós do carimbó tradicional, não queremos que as rádios se sintam obrigadas a tocar nossas músicas, queremos que elas queiram fazer isso”, disse Maria. Ela também citou uma iniciativa semelhante que já teria tramitado na Câmara Municipal há algum tempo. Sobre isso o vereador Mauro Freitas informou que entrou na CMB em 2013 e até então nunca soube ou teve acesso a qualquer documentação relacionada ao tema carimbó.

Propostas

Além de entidades e representantes de movimentos culturais, participaram da sessão os vereadores Fabrício Gama (PMN), Toré Lima  (PRB), Jonh Wayne (PMDB), Joaquim Campos (PMDB) e Rildo Pessoa (PTdoB).

Entre as iniciativas sugeridas para ampliar as ações de valorização do carimbó em Belém, está a criação de espaços públicos destinados a apresentações de carimbó, apresentada pelo vereador Fabrício Gama, que chamou a atenção para a necessidade de mais união entre os segmentos culturais.  Nesse aspecto o vereador Rildo Pessoa disse que “cada um tem como somar, à sua maneira”, e no que se refere à lei Pinduca, sugeriu que os vereadores e os movimentos culturais se unam para provocar as rádios locais a cumprirem a lei. A ideia é fazer uma mobilização intensa para cobrar das emissoras a veiculação diária do carimbó.

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