quarta-feira ,24 abril 2019
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Campanha “Uma Cuidando da Outra” reforça a luta das mulheres contra a violência

Grupo de percussão Tamboiara Amazônia, formado apenas por mulheres, abriu a sessão especial na CMB.

Os números precisam ser atualizados, mas os registros oficiais disponíveis demonstram que a violência contra a mulher ainda é crescente, mesmo com o avanço dos mecanismos legais de proteção e da própria consciência das mulheres que hoje já não se calam e sim denunciam os agressores. E para reverenciar mulheres que são referência na luta a contra a violência, a vereadora Enfermeira Nazaré Lima (PSOL) realizou na manhã desta sexta-feira,15, a sua primeira sessão especial como parlamentar na Câmara Municipal de Belém.

“É com muita emoção que vejo o quanto já avançamos e o quanto ainda podemos avançar juntas nessa luta. Tenho convicção que é a nossa união que nos torna capazes disso. Estou há um mês e meio atuando como vereadora nesta casa formada por 31 homens e quatro mulheres, isso num país em que a maioria da população é de mulheres, num estado de maioria feminina também. Aí a gente se questiona porque essa reduzida representatividade da mulher na política. Mas o poder está em nós. Juntas, nós temos o poder. Isso é alteridade, é empatia. Mulher tem que apoiar mulher”, declarou a vereadora que, na abertura da sessão, anunciou o lançamento da campanha “Uma cuidando da Outra” como medida de proteção mútua diante da violência contra a mulher.

No Ministério dos Direitos Humanos (MDH) os dados referentes ao serviço Ligue 180 – Central de Atendimento à Mulher- ainda são do período de janeiro a julho de 2018, quando foram registrados 27 feminicídios, 51 homicídios, 547 tentativas de feminicídios e 118 tentativas de homicídios em todo o País. No mesmo período, os relatos de violência chegaram a 79.661, sendo os maiores números referentes à violência física (37.396) e violência psicológica (26.527). O Ligue 180 é um serviço gratuito que recebe as denúncias de violência, registra as manifestações, faz os encaminhamentos e orienta as vítimas sobre a Lei Maria da Penha, os Direitos da Mulher e seu amparo legal.

No Pará os últimos dados computados pelo Propaz registraram mais de 8 mil casos de violência contra a mulher apenas no período entre janeiro e maio de 2018, o que representa crescimento de 25% em relação ao mesmo período de 2017. Mais de 3.500 vítimas de violência física, psicológica e sexual procuraram o serviço para pedir ajuda.

A deputada estadual Marinor Brito (PSOL) destacou a atuação da vereadora Nazaré Lima em defesa dos direitos da mulher. “É uma honra usar essa tribuna hoje para referendar a luta das mulheres contra a violência. E mesmo com pouco tempo do trabalho iniciado nesta casa, a vereadora Nazaré já mostra a que veio. E com que orgulho podemos afirmar hoje que temos uma negra na Câmara Municipal. Ela tem em mim uma parceira nos desafios que,como mulheres, enfrentamos dia a dia. Não aceitamos e não nos curvaremos diante da exclusão a que tentam submeter as mulheres em todo o Brasil. Existe a necessidade de fortalecermos as lutas emancipatórias e digo a vocês que é isso que eu estou fazendo hoje na Assembleia Legislativa”, disse Marinor.

Sessão homenageou mulheres que se destacam pelo protagonismo na luta contra a violência.

Referências

“Homens morrem nas ruas. As mulheres estão morrendo dentro de casa. A violência doméstica está nos matando. Estamos sendo cada vez mais vítimas de feminicídio” afirmou a psicóloga Eveny da Rocha Teixeira durante a sessão especial sobre a violência contra a mulher. Com atuação no Tribunal de Justiça do Estado, Eveny relatou que somente em 2018 a Vara de Violência Doméstica do TJE recebeu mais de 580 denúncias de mulheres ameaçadas de morte. Para o enfrentamento dessa violência, a terapêuta ocupacional Ana Cristina Marques, da Secretaria de Justiça e Direitos Humanos do Estado, avalia que o maior desafio é cada mulher tomar para si a dor da outra. “O zelar pela vida de cada uma deve ser o compromisso de todas. E isso o que nos faz mais fortes”.

A representante da Defensoria Pública do Estado na sessão, pedagoga Lucilene Costa, chamou a atenção para o aumento da demanda de mulheres atendidas pela Delegacia da Mulher. “O número de mulheres que vem da delegacia da mulher para o nosso atendimento só está aumentando e a nossa rede de serviços em Belém está funcionando, mas ainda é necessário levar esse padrão de atendimento para os demais municípios do Estado”.

A presença da mulher negra nas esferas públicas de poder foi destacada pela coordenadora do Centro de Defesa do Negro no Pará (Cedenpa), Zélia Amador. “Temos uma negra na Câmara, a única mulher negra entre os 35 vereadores de Belém. É uma constatação. Ser mulher é uma construção social nessa sociedade hierárquica que foi impondo a cada dia a subserviência. Ser negro é outra construção social de quem está no poder, não por acaso, homem e branco”.

Durante a sessão especial 25 mulheres foram homenageadas com um certificado de reconhecimento pela atuação no combate à violência contra a mulher. São elas:
Marinor Brito, Ana Rosa Cordeiro Ventura Farias,Raimunda do Socorro Batista Melo,Dirce Nascimento Pinheiro,Bárbara Araújo Sordi,Maria de Fátima Santana da Silva, Myrian Silvana da Silva Cardoso Ataíde dos Santos, Maria do Socorro Rocha Silva, Maria de Fátima Guilherme, Selma de Oliveira Rocha, Leila Rosa Palheta, Eveny da Rocha Teixeira, Ieda Maria Louzada Guedes, Luana Nazaré Mattos Ogata, Liliane Silva do Nascimento, Zélia Amador de Deus, Lourdes Barreto, Rosana Araújo Martins, Dirce Nascimento Pinheiro,Vera Lúcia de Azevedo Lima, Márcia Wayna Kambela, Renata Taylor de Andrades Rios,Maria Luzia Miranda Álvares, Lívia Braga Duarte e Flávia Danielle da Silva Câmara.

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