sábado ,23 setembro 2017
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Autismo é tema de debate na CMB

Entidades e comunidades presentes na sessão

Na manhã desta quinta feira, 25, uma sessão especial debateu como o autismo vem sendo tratado na capital e o que mais pode ser feito para apoiar as famílias. A proposta do vereador Adriano Coelho (PDT) reuniu vereadores, o poder público e entidades ligadas à causa. Adriano iniciou a sessão explicando a motivação para ser um defensor do tema. “Um amigo meu de uma comunidade tem um filho autista e durante toda a campanha presenciei as dificuldades que ele enfrentava e a dedicação que me comovia muito. Disse que assim que pudesse, ia intervir e unir forças para debater esse assunto e melhorar o que fosse possível”, relatou o vereador, emocionado.

Segundo a Secretaria de Educação do Estado, em 1989 a causa autista começou o ganhar mais atenção mo Pará. Aos poucos o projeto foi se ampliando. Atualmente  7200 pessoas com deficiência são atendidas no estado, 928 possuem o transtorno do espectro autista, em Belém são 704. Para ajudar no desenvolvimento dessas pessoas, a Seduc dispõe de 1434 profissionais para atender todos os municípios e 797 deles estão na capital. “O Pará é o único no Brasil que tem um núcleo especializado para tratar o autista. São 22 servidores, entre psicólogos, pedagogos e educadores físicos. Fizemos um levantamento recente e precismos de mais gente. O governo do estado já autorizou a contratação, inclusive de professores de apoio escolar”, disse Rosilene Mesquita, representante da Secretaria.

O proponente da sessão, vereador Adriano Coelho

A presidente da Comissão dos Direitos das Pessoas com Deficiência, Gisele Costa, relatou que quase todos os dias recebe denúncias de familiares de autistas relacionadas a problemas como dificuldade de acesso à educação, saúde e assistência de uma forma geral. “A principal queixa é a falta de  apoio escolar de um profissional capacitado. A Lei Brasileira de Inclusão Social garante isso, mas escolas públicas e até particulares Não garantem isso. Aqui na Câmara inclusive, um projeto de lei do vereador Vandick Lima, que previa a construção de uma casa de apoio, foi vetado. Nós precisamos dessa resposta do poder público e de fiscalização nas escolas particulares também”, acrescentou Gisele.

Durante o discurso, o vereador Sargento Silvano (PSD) explicou o porque do projeto do ex-vereador Vandick Lima  ter sido rejeitado. “O artigo 17 da Lei Orgânica do Município diz que não podemos legislar sobre questões tributárias. Isso cabe ao executivo. Não podemos gerar um ônus para a prefeitura que não foi planejado no orçamento municipal. Vamos aproveitar esse momento em que todos os órgãos envolvidos no assunto estão aqui para fazer o nosso máximo”. O vereador Celsinho Sabino (PSC) complementou dizendo que uma mudança de comportamento que pode começar dentro de casa já ajuda muito. “Não devemos tratar ninguém como deficiente, mas sim incluir essas pessoas na sociedade”.

O diagnóstico precoce foi citado como um dos mecanismos para contribuir para o desenvolvimento dos autistas. A Coordenadora do Centro de Referência em Inclusão Educacional (Crie), Denise Costa, contou que 356 estudantes com autismo são atendidos no centro, pot uma equipe de 300 profissionais. E quanto mais cedo o estímulo, melhor o resultado para a vida adulta. “O autismo não é uma doença, mas uma condição que perdurará por toda a vida”, assinalou a vice-presidente do Instituto Clínica Escola, Geronice Coutinho, ela própria mãe de uma menina de 9 anos portadora de autismo. “As pessoas têm medo do que não conhecem,  por isso a importância de que se tenha acesso à informação e ao atendimento especializado.”

Jorge Spinelli se emocionou ao falar do filho Luca

Pai do garoto Luca que é autista, Jorge Spinelli subiu à tribuna para um depoimento emocionado. O funcionário público disse que tem muito orgulho de ter um filho com quem aprende todo dia e falou também sobre a dificuldade de aceitação da família após o diagnóstico. Ele disse desconhecer o serviço oferecido pela prefeitura e que o investimento particular é alto.“ Meu filho tem psicólogo e apoio educacional com profissional em escola particular. Tenho quatro empregos. Tudo pra poder dar qualidade de vida pra ele. Quero que independente da condição do Luca, ele consiga se inserir na sociedade”.

O vereador Bieco (PR) manifestou seu orgulho em participar de uma sessão dedicada a um tema tão nobre. “Em particular, destaco a luta das famílias, moradoras da periferia, que enfrentam dificuldades financeiras para cuidar do filho autista. Acima de tudo, esta é uma missão”, assegurou. Blenda Quaresma (PMDB) observou que se evoluiu bastante no tratamento do autismo, “mas ainda não temos a valorização adequada do profissional voltada ao atendimento dessa área”, notou. “Daí a dificuldade de detectar o nível de autismo e sua relação com a aprendizagem.”

Por sua vez, a psicopedagoga Kátia Nunes, coordenadora do Centro de Apoio Psicopedagógico de Atendimento ao Autista, chamou a atenção para a carência, na rede estadual, de professores com formação adequada para o atendimento de crianças autistas e com dificuldades de aprendizagem. “O autismo não escolhe classe social, daí a importância do profissional para diagnosticá-lo o mais cedo possível”, comentou.

Finalmente, na condição de autor do requerimento que ensejou a realização da presente sessão, o vereador Adriano Coelho (PDT) se disse agradavelmente surpreso pelos testemunhos oferecidos e informações repassadas sobre o assunto. “Comunico que criaremos nesta Casa uma comissão permanente para acompanhar as questões referentes ao autismo, permitindo, assim, que pessoas e entidades ligadas ao tema possam se manter atualizadas”, completou.

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